sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Retas Paralelas (Predestinação e Livre Arbítrio)




Miguel Levy
 
Por mais que nos esforcemos para fugir de certos assuntos, eles sempre estão nos rodeando e de alguma forma sempre somos levados a discutir sobre algumas correntes teológicas. E para ser bem franco, nunca tive a pretensão de elucida-las. Até porque não quero afrontar a dedicação de tantos homens que investiram anos e vidas estudando, escrevendo e discutindo teses em concílios intermináveis e mesmo assim não conseguiram ser conclusivos.  O que posso fazer é expressar o que creio, mas farei o possível para não ser tendencioso em meus relatos para não influenciar os menos informados com minhas preferências. Creio que todos nós devemos ter nossas próprias convicções sobre tudo que envolve nossa vida, principalmente quando me refiro a nossa vida cristã.

O ponto em questão é: Livre arbítrio ou predestinação, quem está certo? Calvino ou Armínio?

Eu entendo que se fosse tão simples Lutero já teria respondido. Contudo, temos a oportunidade de poder ver esse imenso campo de ideias, de uma forma mais ampla,  protegidos pelo anonimato e libertos da necessidade de ter que estar certo podemos pensar de forma mais relaxada e tranquila.

Tanto Calvino quanto Armínio, dois homens de Deus, buscaram base  para as suas afirmações na Bíblia, na Palavra de Deus. Se bem que neste ponto temos que tomar cuidado pois todo bom herege sempre procura base para sua heresia na Bíblia. Só herege meia-boca e preguiçoso tem coragem de apresentar uma heresia sem base bíblica. Mas voltando aos nossos irmãos, não creio em heresia nos dois casos. Nenhum trabalhou com textos isolados e os complementou com ideias próprias gerando algum tipo de sincretismo. Duas linhas que sustentam-se paralelas , caminhando juntas para um mesmo destino.

Dispensando a Geometria Euclidiana, o preciosismo da matemática pura e considerando que o infinito é um lugar que localiza-se na eternidade, além do alcance de nossa visão natural. Podemos provar que duas retas se encontram no infinito. É dessa maneira que analiso as duas correntes defendidas por Calvino e Armínio. Duas verdades paralelas que em nossa realidade não podemos ver como podem se interceptar, mas creio que um dia, na eternidade poderemos constatar esta realidade. Creio que veremos um Calvino salvo pela graça por ter sido um eleito e escolhido para isto, que convicto da soberania da vontade de Deus se ocupava apenas em cumprir seu desígnio sem ver ameaça a sua salvação; e ainda um Armínio que escolheu e aceitou a mensagem de salvação pela graça de Deus e que por perseverar em sua fé até o fim alcançou o prêmio da salvação.

Para ajudar sua compreensão e sem ter a menor intenção de colocar um ponto nesta sempre edificante discussão, listarei alguns dos textos bíblicos usados por Calvinistas e Arminianos em seus eventuais encontros para tomar um café. Para os comentários sobre cada versículo, aconselho que  encontremos uma dessas abençoadas reuniões, onde cada lado nos oferecerá o que tem de melhor. Me reservo apenas a apresentar alguns textos.

 

Os Calvinistas citam:

 

ROMANOS 8.28-38: 28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

 

JOÃO 13.18: 18 Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhi; é, antes, para que se cumpra a Escritura “Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar”.

 

ATOS 13.48: 48 Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna.

 

EFÉSIOS 1.4,5: 4 assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor 5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade.

 

II TIMÓTEO 1.9: 9 que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos.

 

II TESSALONICENSES 2.13,14: 13 Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, 14 para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

JOÃO 6.39: 39 E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.

 

MARCOS 13.27: 27 E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu.

 

ROMANOS 11.5-9: 5 Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. 6 E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. 7 Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos, 8 como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir; até ao dia de hoje. 9 E diz Davi: Torne-se-lhes a mesa em laço e armadilha, em tropeço e punição; 10 escureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam, e fiquem para sempre encurvadas as suas costas.

 

COLOSSENSES 3.12: 12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.

 

I PEDRO 1.2: 2 eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas.

 

APOCALIPSE 17.14: 14 Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.

 

MATEUS 22.14: 14 Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

 

MATEUS 24.24: 24 porque surgirão falsos Cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.

 

MATEUS 24.31: 31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.

 

MATEUS 25.34: 34 então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

 

EFÉSIOS 2.1-10: 1 Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados, 2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. 4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos. 6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7 para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie. 10 Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

 

·         Baseado no entendimento que todos estão mortos espiritualmente, dessa forma  não tem capacidade de crer nem aceitar nada. Quando Deus vivifica aqueles que ele escolhe, pela regeneração, só então esses vivificados podem crer. O fato de Deus ter escolhido e vivificado muitos, através de uma fé dada por ele, mas não ter feito isto com todos caracteriza a eleição.

 

ROMANOS 9.11-24: 11 E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), 12 já for adito ela: ‘o mais velho será servo do mais moço’. 13 Como está escrito: ‘Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.’ 14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! 15 Pois ele diz a Moisés: ‘Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão.

16 Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. 17 Porque a Escritura diz a Faraó: ‘Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra.’

18 Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.

19 Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu a sua vontade? 20 Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? 21 Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? 22 Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, 23 a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, 24 os quais somos nós, a quem chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?.

 

MARCOS 4.10-12: 10 Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas. 11 Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, 12 para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles.

 

·         Os calvinistas mostram com isso que muitos são predestinados a não entender, não crer e não se converter.

 

LUCAS 13.24: 24 Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.

 

Os Arminianos citam:

 

II PEDRO 3.9: 9 Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.

 

·         Segundo o calvinismo, Pedro está escrevendo para pessoas eleitas, pois ele usa a palavra “convosco”. Ele estava escrevendo para salvos. Por isso, os calvinistas não Aceitam esse versículo como base para o livre arbítrio.

 

I TIMÓTEO 2.4,6: 4 o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. 6 o qual a si mesmo se deu em resgate por todos; testemunho que se deve prestar em tempos oportunos.

 

I JOÃO 2.2: 2 e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.

 

JOÃO 3.16: 16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

 

MATEUS 23.37: 37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo de suas asas, e vós não quisestes!

 

·         Os arminianos acreditam que o querer do homem prevalece em relação ao querer de Deus. Mesmo que Deus queira salvar, se o homem não quiser, ele não será salvo.

 

TITO 2.11,12: 11 Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, 12 educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente.

 

I PEDRO 1.10,11: 10 Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em algum tempo. 11 Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 

MATEUS 16.24: 24 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

 

HEBREUS 2.9: 9 vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi corado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.

 

II CORÍNTIOS 5.14: 14 Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram.

 

JOÃO 6.40: 40 De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

 

JOÃO 5.40: 40 Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.

 

ATOS 7.51: 51 Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis.

 

OBSERVAÇÃO: Para os arminianos uma das maiores provas de que o homem tem livre arbítrio é que ele pode resistir ao Espírito Santo, ou seja, o Espírito quer convencê-lo do pecado, da justiça e do juízo, mas o homem não o quer. Na linha arminiana o querer do homem prevalece sobre o querer do Espírito.

 

MATEUS 24.13: 13 Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.

 

·         Para os arminianos, a perseverança é uma escolha do homem, isto faz parte do livre arbítrio.

 

JOSUÉ 24.15: 15 Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.

 

APOCALIPSE 22.17: 17 O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça da água da vida.

 

MATEUS 18.14: 14 Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos.

 

LUCAS 21.19: 19 É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.

 

I TIMÓTEO 4.16: 16 Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.

 

II TIMÓTEO 2.12: 12 Se perseveramos, com ele também reinaremos. Se o negarmos, também ele nos negará.

 

·         Os arminianos acreditam que podem perder sua salvação. O livre arbítrio pode leva-lo a não perseverar e por causa disto não podem assegurar sua salvação.

sábado, 17 de novembro de 2012

Relacionamento é o que Vale

 
 
Miguel Levy
 
“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.
E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.
E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco.
E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.”
Atos 9:1-9
 Sempre que paro meditar no texto que narra o início do processo da conversão de Saulo fico imaginando o que passou na cabeça dele a partir daquele dia. Saulo era um homem culto, bem instruído, conhecedor e praticante da lei. Um homem que acreditava que todo o seu empenho o qualificava a um lugar muito próximo de Deus. Defender a sua religião e sua crença a qualquer custo, mesmo que para isto fosse necessário até matar pessoas. Qualquer ameaça à tradição religiosa seria rapidamente combatida, como aconteceu aos primeiros movimentos do cristianismo.
A Bíblia diz que Saulo dedicou-se a perseguir os cristãos e foi o responsável pela morte de Estêvão (At. 7). Em Atos 9, vemos que Saulo saía em mais uma missão de defesa da Lei e, talvez aos seus olhos, de Deus também. E foi nesse clima, respirando ameaças de morte aos seguidores do Caminho que o inesperado aconteceu. Uma luz brilhou e Saulo caiu, provavelmente de um cavalo, mas o fato é que ele foi ao chão e ouviu uma voz que dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. A resposta de Saulo demonstra tudo o que queremos meditar com este texto. Ele respondeu: “Quem és tu, Senhor?”. Sou obrigado a perguntar como alguém que esta agindo em nome de Deus, convicto de que esta obedecendo a vontade de Deus não reconhece a voz de Deus? Os discípulos, amigos e chegados a Deus certamente identificam sua voz (Jo. 10:27). É uma prova evidente de que muitas vezes podemos estar muito equivocados em relação ao nível de relacionamento que achamos que temos com Deus. Quando Jesus respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues;”, eu creio que deve ter acontecido um choque dentro daquele homem que nunca imaginaria estar perseguindo, Jesus. Afinal de contas não foi para Jesus a autorização de perseguição e captura que Saulo obteve antes de sua saída.
O fato importante aqui é que para qualquer um de nós é muito, muito fácil de iludir com o que dogmas religiosos e tradições de leis caducas podem nos apresentar como Deus. Por algum motivo somos mais tendenciosos em acreditar que Deus está muito interessado em nossas milaborantes aventuras em seu nome e que é o resultado do nosso desempenho que irá nos deixar bem próximos de Deus. Ora, nem quando a Lei vigorava isso foi possível, imaginem agora, quando a graça salvadora se revelou ao homem mostrando que nenhum de nós teria um desempenho capaz de promover salvação para sua vida.
No texto que estamos meditando vemos que embora estejamos muito envolvidos no que acreditamos ser a obra de Deus, podemos não ter nem ideia de quem seja Deus, uma vez que não conseguimos nem identificar sua voz quando fala clara e diretamente conosco. É possível viver enganado buscando apresentar obras a Deus, enquanto ele apenas busca relacionamento com cada um de nós.
O que precisamos é ouvir Deus e identificar a sua voz mostrando o relacionamento íntimo e estreito que temos com ele. O que precisamos é para um pouco de pensar em sermos abençoados pois as bênçãos que precisamos Deus já nos deu antes mesmo que pedíssemos. Afinal de contas, ser abençoado não significa conhecemos Deus como ele quer que o conheçamos. O lendário Jó, era tão abençoado que ele não tinha tempo para mais nada além de ser a personificação da bênção de Deus na terra. Até que um dia, por vários motivos, ele teve tempo de conversar com Deus. Deus o chamou para um bate-papo, para trocar ideias. No final ele afirmou que realmente não conhecia Deus. Mas foi a partir do conhecimento de Deus que as bênçãos de Deus passaram a fazer sentido em sua vida.
Uma vida religiosa e cheia de afazeres eclesiásticos pode ser a grande ilusão da nossa vida quando não conhecemos, não temos intimidade ou um relacionamento chegado com o Deus que servimos.
Para nós, mostrar muito serviço pode nos deixar bem conosco e com as pessoas que nos observam para construir um perfil que poderá nos deixar com muito prestígio, assim como acontecia com Saulo. Mas para Deus, na verdade, relacionamento é o que vale.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Levar Deus ao Mundo é a Melhor Opção


Miguel Levy

Um dia desses eu estava em casa com minha filha de cinco anos. ela estava decidida a tomar um banho na piscina e mais decidia ainda a me convencer a participar de sua brincadeira pedindo aulas de natação. Não seria tão difícila sua tarefa em me convencer a entrar naquela poscina se não fosse o fato de já estarmos quase no fim da tarde, ventando bastante e eu não precisava de nenhum termômetro para saber que aquela água estava gelada, até pelo fato de minha filha estar tremendo enquanto heroicamente mergulhava e me chamava com insistência. Por fim, após pereeber oquanto seria importante para ela aquela gelada programação decidí trocar de roupa, travar os dentes e milimetricamente entrar na piscina e participar daquela brincadeira.
 
Trazendo este fato apenas para ilustração, o que deseja na verdade é convidá-lo a meditar sobre um assunto muito importante para nossa caminhada cristã. Refiro-me ao fato de promover salvação através de Cristo, a revelação de Deus na terra. como temos feito ou tentado fazer isso? Já ouvi e ví muitas tentativas de evangelização onde os esforços se concentram em levar as pessoas a Deus e muitas vezes vemos a ineficiência desse processo. Parece que nossas orações para que vidas venham a Deus tem pouco resultado.
 
O fato é que o mundo ainda esta gemendo, esperando que os filhos de Deus se manifestem e revelem esse Deus de salvação e graça. O próprio Deus cumprindo seu propósito de se revelar ao homem ele não levou o homem ao céu, ele se fez carne e veio ao mundo para revelar o seu amor a fim de salvar o homem.
 
Temos agido equivocadamente pedindo a Deus mudanças no mundo e nas pessoas onde na verdade o que precisa mudar de fato somos nós, nossos posicionamentos e nossa atitude como filhos de Deus nessa terra.
 
O que o marido difícil de lidar precisa é ver uma esposa e filhos que revelem Deus a ele. O que os filhos rebeldes precisam é verem Deus na vida dos seus pais. Nossos amigos não precisariam ir a uma igreja para ter um encontro com Deus, isso poderia acontecer durante a semana, nas muitas oportunidades que temos de revelar a graça de Deus nos muitos desafios de nosso cotidiano.

Jesus nos dá o grande exemplo de como devemos alcançar o perdido e necessitado de Deus. Não podemos esperar que quem esteja precisando de ajuda corra o socorro. Assim como Jesus, devemos ir levar o Deus que está em nós para o necessitado. Através do serviço, Jesus alcançou a muitos. Se disponibilizando para ser o canal de expressão e revelação de Deus ao mundo.

a tarefa pode parecer difícil, espinhosa, desconfortável, mas é exatamente por isso que fomos alcançados primeiro pela salvação. Para que uma vez salvos, não nos preocupemos mais com nossa própria vida e possamos desprender toda a nossa energia levando Deus ao mundo. Apenas entendendo o significado de ser salvo pela graça podemos crer no que Deus tem para nós, pois a salvação não apenas nos deu o benefício de nos livrar do inferno e nos alcançar pelo amor de Deus, mas se revelou verdadeiramente salvadora quando nos deu a consciêrncia de que além de ter sido abençoados por Deus podemos também promover bênçãos e vida desse mesmo Deus que além de nos amar nos ensinou a amar também. Além de nos salvar, nos ensinou a salvar também.

Não somos sobreviventes pela graça, somos salvos pela graça. O sobrevivente se contenta apenas pelo fato de não ter morrido e continua respirando, apenas vivo. O salvo tem a consciência de que já poderia estar morto e por isso se motiva a promover o mesmo sentimento a tantos quantos possa alcançar. Deste ponto em diante, tudo é lucro.  Foi o mesmo sentimento que o apóstolo Paulo sentiu ao expressar que para ele havia sido um grnade benefício o morrer para o mundo pois a redescoberta da vida em Cristo valeria por toda uma eternidade.

Nós como filhos de Deus podemos sim ir aos lugares mais difíceis para levar esse Deus de graça aos carentes de vida, e asism como minha filha me fez entrar em uma piscina gelada e eu como pai não deixei que ela estivesse sozinha naquele tempo, Deus, nosso pai, não nos deixará sozinhos quando o convidarmos para ir conosco aos confins da terra. Não podemos continuar tentando levar as pessoa a Deus. Levar Deus ao mundo é amelhor opção.
 
 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Nossos Filhos São Profetas



Uma das grandes preocupações de todos os pais ou canditatos a pais é em relação ao futuro, bem estar e sucesso da vida de seus filhos. Diante de tantas dificuldades e maldades que vemos no mundo em que vivemos chegamos muitas vezes a questionar se vale a pena o risco de ter filhos para deixá-los muitas vezes a mercê do que o mundo pode fazer com eles.

Falando de uma forma natural, é muito fácil de entender esse sentimento, pois naturalmente, nossa carne nos leva a racionalizar as coisas baseados no curso natural da carne que é visível, temporal e falível. Mas a Bíblia nos mostra que há uma outra maneira de gerarmos nossos filhos além da forma natural, carnal fundamentada em nossas possibilidades.

Em Hebreus 11:11, vemos o exemplo de um casal que conbeu um filho não baseado em sua capacidade humana e carnal, mas exclusivamente pela sua fé em uma promessa de Deus.

Quando pensamos em nossas possibilidades fatalmente iremos nos limitar aquilo que podemos fazer ou produzir como resultado e isso sem sombra de dúvida irá gerar medo, desconfiança e incredulidade em nosso coração, pois não tem como ter eperança quando tudo o que vemos são nossas limitadas e falíveis possibilidades.

Se pensamos em ter filhos e olhamos para capacidade de cuidar deles, educá-los e encaminhá-los para uma vida próspera logo vem o medo de falharmos e dessa forma comprometer a vida deles. É por isso que muitos de nós vivemos em contínuo processo de ansiedade produzido pela insegurança que temos em nós mesmos ao constatarmos que não podemos cuidar, proteger e nem garantir a vida de nossos filhos salvando-os desse mundo cruel.

Através de Abraão Deus mostrou como podemos ter filhos gerados a partir de uma promessa de Deus. Filhos de fé que independem de nossa capacidade, pois tanto Sara como Abraão não tinham mais capacidade de gerar filhos e muito menos de garantir nada em sua vida pois eram velhos e certamente não acompanhariam o desenvolvimento daquele filho, contudo, Deus fez uma promessa a eles e foi a fé nessa promessa que gerou Isaque.

Sabemos que com isso, Deus estaria mostrando de uma forma bem pedagógica como seria a forma dele, Deus, gerar seus novos filhos. Como surgirião os futuros filhos de Deus que não seriam gerados da capacidade humana mas sim pela fé nas promessas de Deus. Os filhos de Deus são gerados pelo poder de Deus. Quem crê e recebe da parte de Deus esse espírito que testemunha de Deus recebem o poder de serem feitos filhos de Deus e são herdeiros de Deus.

Deus fez uma aliança com Abraão e ele creu por isso gerou Isaque crendo que tudo o que Deus prometera se cumpriria e que as bênçãos de Deus estariam no seu descendente. A garantia de que essa promessa se cumpriria era a fé no Deus da promessa. A garantia de vida de Isaque não estava no velho e cansado Abraão mas em Deus que prometeu a Abraão uma descendência abençoada, próspera e numerosa.

Através do profeta Joel (2:28), Deus anunciou que chegaria o tempo em que o seu espírito seria derramado sobre toda a carne e nesse tempo a promessa feita a Abraão de podermos gerar filhos da fé seria definitivamente cumprida. Quando Jesus morreu e entregou o seu espírito ao Pai, o Pai então derramou esse mesmo espírito de volta sobre toda a carna para a partir daí gerar filhos como mesmo espírito que estava em Jesus, todo aquele que crer poderá ser foito filho de Deus, pela fé.

Então, vemos agora duas formas de gerarmos nossos filhos: através de nossa capacidade, os filhos de nossa carne; e através de nossa fé, os filhos do espírito.

Nosso grande desafio é aceitar o fato de que uma vez derramado o Espírito de Deus sobre nós, podemos gerar filhos do Espírito e não da carne. Aceitar o fato de que os filhos gerados no Espírito não são nossos e sim de Deus.

A profecia de Joel (2:28) é que após o derramamento do Espírito Santo, fato que já aconteceu (Atos 2), os nossos filhos gerados no Espírito seriam profetas. Profetas de Deus. Só dessa maneira podemos ter certeza em nosso coração de que nossos filhos estão garantidos, e essa garantia vem da promessa e Deus. Se continuarmos gerando filhos de nossa carne, continuaremos acumulando dúvidas e inseguranças que serão repassadas para nossos filhos que passarão para nossos netos e veremos a continuidade de uma geração ansiosa, insegura e cada vez mais acuada, prisioneira do secularismo de um mundo sem fé fadado a morte.

Quem espera para ter filhos segundo a sua capacidade adia cada vez mais essa decisão pois em função das dificuldades de nossos dias esta cada vez mais difícil nos sentirmos capazes de garantir a vida de um filho. E quando mesmo depois de tantos cuidados acabamos gerando esses filhos, nos condenamos a uma vida de preocupações e ansiedade pela vida deles, pois não os geramos pela nossa fé e sim pela nossa incredulidade. A fé é a firme convicção que traz paz ao nosso coração independente do nossos olhos vêem. Por isso hoje só descansamos quando nossos olhos estão vendo nossos filhos pois acreditamos que são nossos e não de Deus e por isso cabe a nós protegê-los.

Os filhos de nossa carne nascem de acordo com o nosso tempo, nossa vontade e nossas condições e por isso serão um desafio ao que cremos pois foram gerados a partir da parte visível de nossa vida, a parte pior que é temporal e falível.

Os filhos gerados através da promessa pelo poder do Espírito Santo quando não tinhamos capacidade ou condições de gerá-los pela nossa vontade nos deixam seguros quanto ao futuro pois Deus cuidará para que, como seus profetas, sejam a sua melhor expressão nessa terra.

Ensinar nossos filhos que eles são de Deus é o primeiro passo para que eles creiam que o seu futuro esta nas mãos de Deus e que independente do que o mundopode fazer com eles não podemos duvidar da natureza de que eles foram gerados, a partir de uma nova e superior aliança, selados com uma promessa eterna que tem por guardião o Próprio Espírito de Deus.

Em Hebreus oito, Deus afirma que nessa nova e superior aliança é dele, Deus, a responsabilidade de escrever nos corações de seus filhos as suas leis e mandamentos. É essa a garantia de que esses filhos, gerados no espírito pela fé, são profetas, que sempre terão em seu coração uma palavra de Deus para o seu tempo.

Se nossos filhos foram gerados no espírito de Deus, então descansemos confiantes que eles estão garantidos pela promessa de Deus e não pela nossa capacidade. Graças a Deus.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Deus não conserta, Ele faz Novo


Miguel Levy

Não dá para questionar o fato de que a vida cristã é um desafio dos maiores. Viver o que a Bíblia nos orienta parece ser uma constante busca em superar resultados e testar limites. Por isso o apóstolo Paulo fez uma comparação da nossa vida com a de um atleta que corre rumo a um alvo estabelecido a nossa frente, e sabemos que a vida de  um atleta consiste em superar os limites conhecidos e buscar a cada dia estabelecer novos limites a serem superados. Nossa vida cristã é bem semelhante, pois uma vez aprovados em um desafio nos sentimos motivados e fortalecidos para seguir em frente, avançando no caminho que nos foi desenhado.
Meditando um pouco nessa luta diária no sentido de buscar agradar a Deus, obedecer seus mandamentos e manter a vida de fé para agradá-lo me deparo sempre com um fato quase crônico. Nossa insistência em tentar manter vivo o que deve morrer, em tentar recuperar e consertar o que deve ser substituído. Este fato tem retardado a nossa caminhada, desacelerado o processo de amadurecimento e fatalmente, tem nos feito sofrer bem mais do que precisariamos em nossa vida.
Mesmo antes da manifestação da graça salvadora de Deus através do sacrifício redentivo de seu filho Jesus, já vemos alguns exemplos de homens com certo entendimento e orientação do Espírito Santo se expressarem no sentido de uma solução definitiva e com certeza mais fácil que favoreça a comunhão com Deus através de uma vida que possa agradá-lo.
Em uma oração de arrependimento de um homem descrito como seguno o coração de Deus, Daví pediu: "cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito inabalável" (Sal 51:10). A palavra de Deus através do profeta Ezequiel explicando como faria a restauração de Israel foi: "e lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles, e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne; para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juizos, e os executem;" (Eze 11:19).
Para mim fica muito claro que para viver o que Deus planejou para nossa vida é necessário que nossa natureza seja transformada, recriada, feita de novo e nova. Sem essa nova estrutura de vida, sem esse novo homem não podemos andar nos estatutos de Deus, guardar os seus juizos nem executar a sua vontade (Eze 11:20).
Parece que o grande problema em nós é que por algum motivo, insistimos em crer que Deus deve transformar o velho homem, consertar nossas mazelas, fazer uma reforma no que já temos; tentar aproveitar uma estrutura já comprometida e em decomposição para com essa estrutura impor esforços que nem na melhor de suas condições poderia suportar. É a mesma coisa de tentar usar a estrutura de um carro velho para colocar uma carcaça diferente e um motor mais potente. Aparentemente as coisas parecem bem mas é certo que em algum ponto do caminho essa estrutura vai falir e nos deixar em problemas.
A Bíblia afirma sem deixar outra interpretação que a proposta de Deus é criar novo, fazer outro, dar uma nova natureza ao homem. E oque fazer com tudo o que já temos? O que fazer com o velho homem? A resposta é mais clara e direta ainda: ABANDONAR. Deixar de lado, esquecer, deixar a míngua.
Alguns apegos a nossa velha natureza nos faz tomar algumas atitudes de "misericórdia" com esse velho homem e vez por outra (para não dizer sempre) nos deparamos tentando dar um jeito de mantê-lo vivo e em muitos casos tentar inserí-lo no plano de Deus através de uma reforma ou conserto. Insistimos em dar uma sobre vida a velhos hábitos, costumes e sentimentos e com isso mantemos vivo, muitas vezes em estado terminal, o que deveria já estar morto e esquecido.
Somos impedidos de viver com liberdade a nova e abundante vida que Deus nos deu pelo apego e ocupação com o velho homem que insitimos em não abandonar, e por isso continuamos pensando como antes, agindo como antes e desagradando a Deus como antes. A vida de fé que deveriamos seguir alimentados pela promessa eterna de Deus para nós é contaminada pelo raciocínio carnal que nos lembra de todas as possibilidades e riscos de uma vida gerada e regida pela carne mortal.
Para que vivamos a liberdade da vida de Deus para nós precisamos ABANDONAR o que é velho, e me refiro deixar de lado mesmo, esquecer o velho homem, deixá-lo morrer de fome sem qualquer assistência.
Ainda no livro de Ezequiel encontramos no capítulo dezoito, verso trinta a seguinte orientação: "lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós um coração novo e espírito novo." Pode parecer que isso é coisa do passado, da velha aliança mas quando vamos para a primeira epístola de Pedro capítulo dois, verso um vemos uma transcrição desse texto: "despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuino leite espiritual, para que, por ele vos seja dado crescimento para salvação". Somos orientados a deixar, abandonar tudo o que não é gerado a partir da nossa nova natureza. O velho homem tem que ser abandonado definitivamente. Deixado para tras junto com todas as suas mazelas para que, gerados a partir de uma nova natureza, possamos viver tudo o que se fez novo em Cristo (2Cor 5:17).
Portanto, vamos seguir conscientes de que o plano de Deus é perfeito, viável e muito simples de ser plenamente realizado em nossa vida. Que a fé opera de maneira fácil quando é direcionada no sentido de cumprir os planos de Deus em nós, que consistem em fazer realizar as suas promessas para nós, e essas promessas de Deus são para o novo homem nascido em Cristo e nada dizem respeito ao velho homem gerado na carne e por isso falível e mortal.
Tentar espiritualizar o natural sempre será uma tarefa fadada ao fracasso, as coisas naturais são passageiras mas as espirituais são eternas. Pela nossa fé, cremos que o que se vê é criado a partir do que não vemos. Somos filhos da promessa de Deus e não mais filhos da carne. Após nascermos em Cristo nem deveriamos mais ser reconhecidos segundo a carne (2Cor 5:16) ou pelos frutos gerados pela carne em nosso tempo de pecado. Tentar viver em Cristo buscando salvar o velho homem ou algo que nele ainda nos interesse será sempre um sofrimento e fatalmente um caminho de frustração e luta.
A renovação de mente (Rom 12) é vital para nós, abandonar a cultura de reciclagem que aprendemos e crer no poder criador de Deus em não consertar nada velho, mas criar tudo, absolutamente tudo novo. Creia nisso e viva verdadeiramente uma vida nova em Cristo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O que é o amor?


Miguel Levy

Afinal, o que é o amor?? Cantado, escrito, declamado, rerpesentado, tocado, imitado. Um sentimento discutido, estudado, teorizado mas que na verdade continua ainda sendo uma grande interrogação para quem busca uma resposta.
Ao longo da vida escutamos e vemos muitas coisas acontecendo por causa do amor, ou pelo menos responsabilizando o amor por tantas outras. Sóbrias, loucas, discretas e extravagantes. O amor pode ser responsabilisado por qualquer uma delas e ninguém pode contestar nada. Cada um ama da sua forma, da sua maneira.
No dia dos namorados, vemos um amor adocicado, rimado, poetizado e cheio de corações entrelaçados. Um amor que envolve jovens e nem tão jovens assim. Muitas declarações e votos de amor para toda vida é o que inundam os corações apaixonados.
Mas eu quero apenas falar do que penso sobre o amor. Pensando basicamente na origem do amor, começo a realinhar meus conceitos, que por tantas vezes me levaram a dizer frazes como: Vou te amar cada vez mais; ou coias do tipo: meu amor esta aumentando a cada dia. Como o amor pode aumentar? Se aumenta, pode também diminuir? Se aumentar muito, pode se tornar eterno? Se dimunuir muito, pode sumir? 
Após vinte anos de casado, e com duas filhas crescendo, me atrevo a expressar algumas opiniões muito pessoais, mas que servem de base para minha vida.
Acredito firmemente que o amor é uma dádiva de Deus aos homens. Uma dádiva que não foi comprada ou encomendada, mas sim tirada do próprio Deus que a Bíblia diz que É amor. Por isso acredito que assim como Deus é ou não é, em relação ao amor também creio que amoamos ou não amamos, e quando amamos, esse amor é plenamente suficiente para durar toda uma vida.
Quando nos aventuramos nos caminhos do amor, que deverá ser a base de um relacionamento duradouro, entendo que não sabemos muito, ou quase nada do amor. Acreditamos e nos guiamos por muitas coisa qe envolve o início dessa caminhada. É como em um parque de diversões, onde todas as luzes, cores e música nos convidam a entar em uma aventura que mais adiante nos fará viver experiências fenomenais, mas que se nos fossem colocadas friamente logo no início, certamente poderiamos não encarar. Descer em uma montanha russa em um carrinho sem cobertura a duzentos quilômetos por hora fazendo curvas que desafiam a física e com a enorme possibilidade daquilo não parar no local, é uma experiência única, mas que é precedida por inofensivos carrocéis cercados de pessoas onde vemos nossos pais sempre perto.
Quando iniciamos nossa caminhada no amor também os ocupamos com muitas coisas que não são amor, onde na verdade encobrem o que o amor verdadeiramente é. Ao longo da vida, muitas dessas coisas vão se perdendo, como se as cascas fossem caindo e aos poucos desnudando o que se mantinha oculto nos permitindo conhecer a essência do nosso verdadeiro amor.
Quando a beleza física passa a descansar nos álbuns de fotografia, quando a ostentação de um tempo mais favorável dá lugar a uma crise que muitas vezes com ferocidade arranca algumas cascas que envolviam nosso mais puro sentimento, nesses momentos começamos a ter acesso ao que estava oculto e que sábiamente começa a ser revelado em momentos quando precisamos acima de tudo saber amar.
Ao descobrir o amor passamos a não entender como ainda estamos com uma pessoa que de longe se parece com a que nos conquistou em um temnpo onde a única coisa que nos movia era a turbina que agitava nossos homônios para mantê-los a flor da pelo, sempre.
Não entendemos como suportamos tantas crises e momentos difíceis juntos quando a imágem do nosso espelho simplesmente diz: você não precisa passar por isso.
Nessa linha de pensamento, imagino ainda temos muitas cascas para tirar até que possamos nos deparar com o que é o amor de verdade, ou na sua plenitude.
Os gregos talvez tenham sido os que mais se preocuparam em classificar o amor e mesmo assim, ficaram sem argumentos ao se deparar com a forma mais desnuda de amor, o ágape, amor de Deus.
Hoje entendo que podemos ser recepcionados pelo amor éros, que cheio de cores nos apresenta um caminho prazeiroso, que nos une fisicamente para o início de uma nova vida. O convívio e os desafios nos obrigam a compartilhar sonhos idéias, sucessos e frustrações e começamos a descobrir que alem de carne, precisamos de cumplicidade, companheirismo. Se revela o jeito filéo de amar. Vem os filhos, a família se completa e os desafios continuam. Começamos a perceber que em tempos difíceis, quando até mesmo tragédias nos alcançam, sentimos fluir de nosso interior uma força gerada no amor fraternal, que une famílias e dá uma sobre-carga de energia que nos tira juntos de situações inimagináveis.
É o amor que aos poucos vai se revelando em nossa vida nos dando mais certeza de que na verdade, desde o início, já amavámos tudo aquilo, simplesmente não sabíamos que tinham um potencial tão grande dentro de nós.
Sim, eu não esquecí, apenas deixei o ágape para o final pois acredito que para nós deve ser a consagração do amor, quando a única coisa que vemos, respiramos e vivemos é o amor na sua forma mais pura, que deixa homens como o inspirado e amoroso evangelista João sem palavras ou qualquer tipo de argumento que o encoragem a se aventurar em uma explicação do que seja o amor de Deus (João 3:16). Neste caso, ou sou apenas um feliz beneficiado.
Fechando a idéia, no dia dos namorados, hoje, me atrevo a dizer que não amo minha esposa mais do que quando nos conhecemos. Eu apenas conheço o amor muito mais do que quando nos conhecemos e isso nos faz superar, suportar, abrir mão com a estranha sensação de que vale a pena copntinuar na caminhada desse surpreendente e fenomenal caminho na descoberta do que é o amor.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sofismas 1



Miguel Levy 

Acredito que um dos mais fortes apelos do apóstolo Paulo à igreja é oque encontramos na sua carta aos romanos, no capítulo doze, onde a palavra utilizada para iniciar o capítulo é ROGO, rogar, que significa pedir com insistência e humildade, suplicar, implorar. É mais do que um pedido. É como se fosse um conselho do tipo: faça caso contrário você pode se der mau. E tudo isso para que a igreja não se conforme com o mundo e busque sempre a renovação da mente.
Eu confesso que esse é um dos trechos da Bíblia que mais rebate em minha mente, como uma bolha de ar que insite em subir a tona em uma panela fervendo mesmo que esteja com muita coisa sendo dentro. E quando paro para pensar um pouco na razão dessa insistência, comoço a me convencer que faz todo o sentido para o cristão que quer experimentar a plenitude o plano de Deus para sua vida.
A cultura do mundo em que vivemos é muito forte e nos deixa cada vez mais crente nela e inconcientemente passamos a viver e difundir essa cultura que é totalmente contrária ao que a Bíblia nos ensina. Com a mente recheada de paradigmas, verdades que nem temos idéia porque acreditamos e sofismas, aquelas quase verdades que nos iludem e criam barreiras ao pleno conhecimento de Deus, acabamos muits vezes nos sentido saciados e equivocadamente acabamos entrando em uma zona de conforto crendo que estamos seguindo os planos de Deus.
Uma das maiores dificuldades que percebo, principalmente para os jovens, é a de entender o o que é a igreja, qual o conceito de culto a Deus, quando estamos na presença de Deus, e isso, no meu modo de pensar é um dos pontos mais importantes no sentido de fazer com que possamos realizar coisas que agradam ou desagradam a Deus.
Cientificamente já é comprovado que os procedimentos que aprendemos de verdade entram em uma espéciede "piloto automático" em nossa vida. Fazemos quase que intuitivamente, na base do refléxo. Isso se aplica a tudo o que aprendemos. O perigo esta quando aprendemos o que não é correto e a repetição nos deixa insensíveis ao porcesso e dessa forma não avaliamos mais o que fazemos, simplesmente fazemos.
Vou focar em um assunto que julgo de extrema importância para nós. Igreja, culto e presença de Deus.
Me criei ouvindo meus pais me chamando para ir à igreja. Vai começar o culto. Vamos entrar na presença de Deus. Já congreguei em igrejas tradicionais e centenárias, em neo-pentecontais recém criadas em moderadas, e sempre me deparo com a mesma colocação.
Uma cultura passada de pai para filho que tem estabelecido uma fortaleza que considero um dos grandes sofismas da igreja atual: Existe um tempo quando estamos na igreja. Existe um tempo quando participamos do culto e o pior de todos, existe um tempo quando estamos na presença de Deus.
Sei que pode parecer preciosismo da minha parte, que é apenas uma maneira de falar, mas também sabemos que uma forma de fixar idéias em nosso subconsciente é a repetição, principalmente do que falamos, e o fato é que já aprendemos esses conceitos e estão tão fortes em nossas vidas que se tornaram fortalezas como vemos em 2 Coríntios 10:4.
Convivendo e conversando com muitos jovens, que já estão educados por esses sofismas, posso entender o quão grave são os resultados causados por essas quase verdades. Não entendemos o motivo porque muitas pessoas tem um comportamento enquanto estão participando dos cultos, dentro do ambiente da congregação, junto com os irmãos e quando estão em outro lugar apresentam um comportamento diferente que nem sempre condiz com a conduta de um cristão. O fato é totalmente cultural. Aprendemos que quando estramos na igreja iniciaremos um culto a Deus e nessa cerimônia, alguém ora e diz que nesse momento estamos entrando na presença de Deus. Após duas horas de culto na presença de Deus recebemos a informação de que o culto irá ser encerrado e depois de uma oração, saimos da igreja.
É como se ao sair da igreja, ficassemos totalmente desobrigados de manter o mesmo comportamento que mantinhamos durante o culto, quando estavamos na presença de Deus. O Espírito Santo, contrariando todos os benefícios da redenção, fica no prédioo esperando o próximo culto para atuar em nossas vidas. Parece irônico, mas é a realidade que vivemos e ensinamos aos novos convertidos.
Os jovens se aventuram em caminhos de desobediência a Palavra de Deus porque não tem a conciência de que o Espírito Santo de Deus habita em suas vidas, não apenas passa um final de semana. Não tem a idéia de que quando saem da congregação no domingo, o espírito Santo de Deus os acompanha e lá na escola na segunda feira, ele nos acompanha em todas as nossas aventuras. Quando colamos na prova, participamos de rodas de escarnecedores, xingamos pessoas no trânsito, fofocamos das pessoas e disperdiçamos nossa vida sem dar testemunho do Deus que habita em nós.
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que é o vosso culto racional" (Rm12). O nosso culto começou quando entregamos o nosso corpo a Deus em oferta voluntária, e uma vez feito isso em sua presença, não mais saimos dessa posição. É essa a realidade que só nos foi possível em função do sacrifício redentivo de Jesus na cruz do calvário.
A idéia primitiva de um culto ritualista onde chamamos a presença de uma entidade para adorarmos por um breve espaço de tempo já foi definitivamente ultrapassada e erradicada da história do homem nascido de novo chamado para ser habitação do Deus vivo (Efésios 2:22/1Pedro2:5). A presença de Deus é uma realidade na vida do cristão renascido, que não tem mais prazer em viver longe da sua presença.
Marcamos um tempo em nossa agenda para nos reunirmos juntos com todos os nossos irmãos em Cristo para ter um tempo de comunhão em um local onde a igreja de Jesus se reune para nesse tempo, juntos, cultuarmos ao mesmo Deus que habita em nós, louvarmos juntos, compartilharmos a Palavra, nos fortalecemos,  testemunhamos, e depois de um tempo voltamos para nossas casas dando continuidade ao culto que um dia começamos ao entrar na presença de Deus.
Por isso a renovação da mente através da Palavra de Deus deve ser um exercício diário na vida do cristão. Só dessa forma poderemos experimentar a boa, a gradável e perfeita vontade de Deus para nossa vida. Conceitos arcáicos devem ser descartados e imediatamente substituídos pela novidade do evangelho da cruz que é poder de Deus para todo o que crer. 
Renovação de mente envolve uma nova cultura que certamente irá encontrar resistência em nossa mente, mas precisamos entender que é só através dessa mudança que passaremos a desfrutar o que é viver em um culto racional em todos os momentos de nossa vida, experimentando concientemente os benefícios do privilégio de ser morada do Deus vivo e dessa forma compartilhar de sua intimidade gerada pela convivência diária em sua presença.