domingo, 14 de agosto de 2011

Pai Herói



Miguel Levy

Todos os anos faço questão de participar das atividades comemorativas ao dia dos pais que são realizadas na escola das minhas filhas. Não pelo fato de cumprir uma obrigação, mas principalmente para satisfazer o desejo que todo filho tem de apresentar seu pai aos amigos. É uma responsabilidade enorme que muitos pais não reconhecem e em função disso deixam de viver um tempo de fundamental relevância ao lado dos filhos.
Dentro da estrutura familiar, a imágem do pai é de fundamental importância para transmitir segurança e tranquilidade aos filhos. O filho procura no pai o seu lugar seguro, o abrigo a proteção, a provisão e o referencial para construir o seu caminho. É sobre a imagem do pai que o filho constrói seu primeiro castelo, deposita toda a sua confiança e projeta seus primeiros sonhos. Daí surge a maior responsabilidade de um pai, que não se resume a simplesmente ser um provedor de suprimentos materiais, mas o de ser um supridor de moral, educação, caráter e fé.  
Deus se revela ao homem como Pai. Um só Deus e Pai de todos (Ef 4:6), que fez questão de referenciar na figura do pai o início de todas as coisas. Abraão, o pai da fé. Está no pai o potencial da vida em função dele ser o semeador que dará origem a uma geração de coisas, fatos, idéias, visões. Deus Pai que além se revelar como gerador de resultados quando formou todas as coisas com a sua Palavra, demonstrou também sua capacidade em inciar processos mostrando ao homem um caminho a ser seguido que o levaria a um processo de crescimento e amadurecimento. Esta é a grande lição de Deus como Pai. Que devemos a prender e ensinar aos nossos filhos que resultados nos satisfazem momentaneamente mas não promevem aprendizado nem maturidade.
A idéia do PAI HERÓI, surge no filho quando ele vê seu pai como um gerador de resultados instantâneos. O pai que consegue carregar objetos pesados dentro da casa, que espanta o gato e o cachorro que parecem uma ameaça. O pai que com tanta facilidade nos tira do chão e nos faz voar. O pai que faz tudo parecer muito fácil e possível. 
O momento difícil acontece quando esse filho cresce e começa descobrir que o grande herói parece estar perdendo o poder, e já não consegue porduzir tantos resultados. Ou quando por algum motivo o pai falha e a imágem do infalível parece não ser suficientemente forte para continuar dando sustentabilidade para o castelo construido sobre ela. Aí, muitos castelos vem abaixo.
Vemos que como pais, precisamos entender que nossa responsabilidade, a exemplo de Deus, não se resume em apresentar resultdados e sim também em educar filhos, a iniciar processos que os prepare para um dia assumirem a posição de pais. 
A missão do pai é ensinar filhos a serem pais também. Por isso mais importante do que patrimônio material é a herança de legado que podemos deixar aos nossos filhos. Ensiná-los, educando para a vida. Mostrando com nosso testemunho, o que é bem desafiador, no caminho junto com eles que a nossa fé, as nossas convicções, o nosso Deus devem ser experimentados por eles também, inicialmente ao nosso lado até o ponto onde poderão seguir com seus próprios pés.
Ensinar aos nossos filhos que a imágem do pai herói não é mentirosa ou falsa, mas que precisa, com o passar dos anos, ser esclarecida no sentido de apresentar aos nossos filhos os cenceitos reais das coisas. Que o herói de verdade não é o infalível Superman do cinema com músculos de aço, mas o humano pai que não mede esforço para cumprir seu papel como pai e deixar um legado de educação, moral e referência de Deus em sua família. Que o herói não é o que vence todas as batalhas, mas o que nunca foge de seus desafios. Que o herói não é o que sempre dá o presente caro e desejado, mas o que consegue ensinar o valor das coisas e como devemos desejar o que já nos foi dado por Deus. Que o herói não é o que nunca falha, mas o que falha, assume seu erro e o transforma em uma lição de vida para o filho. Que herói não é o que faz todo esforço para enceher a casa de comida, mas principalmente o que faz todo esforço para comer junto e compartilhar na mesa a Palavra de Deus, o pão da vida.
Agradeço a Deus pela riqueza de ter me proporcionado a tripla experiência paterna através de meu pai natural que me gerou naturalmente, me educou e me criou. Através de meu Deus, que me gerou por uma promessa e que pude conhecer como pai no sentido mais amplo, e  através de minhas filhas, que hoje, me fazem entender muito melhor o que é ser pai e dessa forma poder me empenhar em cumprir o meu papel para que um dia elas possam dizer que amam e obedecem o Deus de seu pai. Isso é uma riqueza.
Feliz é todo o pai que entende sua missão e por isso sabe que mais importante do que morrer por um filho é viver por ele fazendo todo o esforço para manter a imagem do pai que diante de todos os desafios é um verdaeiro herói.
 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Adote Seu Filho Vivo




Miguel Levy

“Pai de Amy Winehouse planeja criar fundação para ajudar viciados”
"Estava em Nova York com meu primo Michael quando soube da notícia (da morte de Amy) e na mesma hora eu disse que queria uma Fundação Amy Winehouse, algo para preservar as coisas que ela amava - crianças, cavalos... - mas também para ajudar aqueles que lutam contra a dependência química" – Plantão O Globo.
Foram essas as palavras de Mich Winehouse, pai da cantora e compositora Amy Winehouse durante o seu funeral, demonstrando sua intenção em prestar uma homenagem a filha encontrada morta finalizando uma vida entregue as drogas e ao álcool.

O que me chama a atenção é que Mich não é o primeiro a homenagear filhos depois de mortos, principalmente quando os mesmos são levados precocemente por uma vida de abandono e falta de atenção e presença familiar. Parece que é uma forma auto-redentora  de buscar salvar o que foi perdido produzindo a imagem de um herói. Aqui no Brasil temos o triste exemplo do jovem Cazuza, transformado em herói, protagonizando filme, entitulando ONGs, e deixando cada vez mais público o péssimo exemplo de vida que um jovem cheio de talento pode viver.

Em todos os casos vemos a mesma história se repetindo. Jovens cheios de talento em uma estrutura familiar que não oferece o que todo filho precisa ter. Amor, atenção, acompanhamento e presença participativa e comprometida de pai e mãe. Isso independente da condição sócio-econômica da família em questão. O modelo de família estabelecido por Deus é válido e eficaz para qualquer família do mundo. O que a Palavra de Deus nos ensina é uma regra fundamental para garantir o sucesso de nossos filhos.

Amy Winehouse iniciou sua carreia aos 13 anos de idade e logo cedo começou a “ganhar” a vida em meio a bares e pubs, e tão logo começou a fazer sucesso e oferecer uma “melhor” condição de vida a família, o pai, até então motorista de taxi, também decolou para a carreira artística que provavelmente estava guardada em alguma gaveta do armário de frustrações pessoais que todos temos. Quando a oportunidade surge, o natural é dizer: chegou a minha vez.

Tanto talento pode ser o pior inimigo para quem não tem uma estrutura familiar forte o suficiente para servir de suporte que garanta a edificação de uma vida saudável. A ruína é a certeza mais provável.
Chega a ser demagógico se propor a financiar tratamento e cuidado para os filhos dos outros quando não temos priorizado os poucos a nós confiados. A Bíblia nos instrui a ensinar nossos filhos NO caminho que devem andar. É um trabalho comissionado aos pais. Amigos, tias, avós, ou muito menos empregados podem cumprir essa missão com a dedicação e presença suficientes para forjar um caráter em uma criança a não ser os pais.

A melhor homenagem que podemos prestar aos nossos filhos é adotá-los enquanto estão vivos. Adoção é a forma que temos para gerar filhos através do compromisso de nossa palavra. É a aliança que fazemos com nossos filhos dizendo a eles que além de tê-los concebido também desejamos nos responsabilizar, cuidar das suas vidas educando-os e apresentando o caminho que devem seguir. É a forma de oficializarmos aos nossos filhos que nós o queremos, por isso o adotamos. Essa é a homenagem que todo filho precisa.

Como pais, muitas vezes nos focamos unicamente na sobrevivência, no sustento de nossos filhos e esquecemos que além de supridores devemos ser os formadores, educadores e sacerdotes de nossos filhos. Ensiná-los princípios de obediência, respeito e conquistar credibilidade ao ponto de nos tornarmos seus conselheiros. Na música REHAB, a jovem Amy expressa de uma forma talentosa que não esta bem, precisa de ajuda, amigo e o seu pai diz que ela precisa passar 10 semanas em uma clínica de re-habilitação e ela responde enfática: Não! Não! Não! E mais uma vez constatamos que a bíblia esta certa. Mostrar o caminho sem estar nele, terceirizar cuidados para nossos filhos não funcionam. Precisamos adotá-los e dessa forma homenageá-los enquanto estão vivos. Abra os braços, ofereça amor, atenção, sua vida e com certeza eles vão dizer: Sim! Sim! Sim!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Um Grito de Socorro



Miguel Levy
Nesse último final de sema nos deparamos com a notícia da morte de Amy Winehouse, uma jovem talentosa que faleceu aos 27 anos. Surpresa para uns enquanto para outros, inclusive a própria mãe, uma notícia que poderia surgir a qualquer momento em função do estilo de vida que a jovem cantora vinha levando nos últimos anos.

Não deveríamos achar normal que esse tipo de fato ocorresse. Jovens talentosos sendo privados da vida tão cedo. Recebendo a visita da morte no momento mais produtivo de sua existência na terra. O mesmo aconteceu com Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Robert Johnson, Pete Ham, Kristen Pfaff, Gary Train . Todos com história de vida parecidas. Fama dinheiro e facilidades que qualquer outro mortal não conhece mas anseia por ter. Facilidades que estranhamente tornam a vida mais difícil de ser vivida e revelam de uma forma explosiva um imenso vazio, uma espécie de buraco negro que consome todas as energias e recursos deixando evidente a real necessidade de uma vida que justifique a existência.

No caso específico da Amy Winehouse, usando o talento recebido de Deus (Tiago1) de várias maneiras ela expressou seu grito de socorro, pedindo ajuda na busca de uma vida suportável, o que vemos na música REHAB (rehabilitação). Para quem tem alguma sensibilidade e conhecimento das escrituras sagradas, logo percebe o que o apóstolo Paulo fala no capítulo oito da carta aos Romanos quando diz que a criação grita, geme, chora a espera que os filhos de Deus se manifestem.

Criticar, julgar e acusar quem não consegue entender e aceitar a mensagem da cruz pode ser um comportamento defensivo de quem conhece a verdade da mesma forma não tem entendido a mensagem da cruz que não se conforma com os resultados produzidos pela cultura do presente século que leva a humanidade ao roubo, morte e destruição. Muitas vezes nos justificamos com o fato de já termos pregado essa mensagem a alguém que não aceitou apesar de algumas repetições e repetindo o ato de Pilatos, lavamos as mãos, nos eximindo da responsabilidade sobre aquela vida. Contudo, nosso papel como igreja de Jesus é dar continuidade a sua missão na terra que não consiste em julgar ou criticar mas em promover salvação (João3).

Devemos assumir a responsabilidade que esta sobre nós de alimentar os famintos, saciar os sedentos e calar o gritos os angustiados de espírito trazendo a mensagem da cruz que pode ser loucura para alguns, mas é poder de Deus para todo aquele que recebe Jesus como salvador e autor da vida.

Lamentamos a morte da jovem e talentosa Amy Winehouse, assim como lamentamos a morte de milhares de anônimos que tem o mesmo destino, condenados a passar a eternidade sem a possibilidade de comunhão com Deus. Lamentamos pela vida de milhares que diariamente são privados da vida plena oferecida por Jesus disponível a todos os que crêem. Assim como lamentamos por milhares que mesmo conhecendo a mensagem da cruz, se mantém calados fingindo não ouvir os intensos gritos por socorro de quem não consegue existir sem uma razão para viver.

Todos nós temos uma Amy Winehouse bem perto, que grita por socorro ao nosso ouvido e espera nos revelemos como filhos de Deus.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Evangelho da Prosperidade - Paul Washer


Acredito nesse evangelho que vem para os que nada tem a oferecer em troca de bênçãos. Esse discurso pode não dar "ibop", mas com certeza nos salva, principalemnte de nós mesmos. Assista o vídeo. É rápido.

Miguel Levy

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Mergulhe no Evangelho


Miguel Levy

Não é difícil encontrarmos quem de alguma forma questione o porque Deus não torna as coisas mais simples para nós. Por que Deus não acaba logo com a fome, a miséria, com as doenças. Por que não prende logo o diabo e nos deixa viver apenas para adorá-lo. Se nos deixarmos envolver por esse discurso podemos até concordar e nos tornarmos mais uma voz nesse clamor "sedento de Deus". Mas por outro lado também podemos ver que essas mesmas pessoas são acomodadas, despreparadas e pouco conteúdo apresentam, quando nos referimos a Palavra de Deus. Nesse ponto entrendemos que na verdade a grande maioria das pessoas busca apenas uma forma mais fácil de se relacionar com Deus expondo toda a sua pouca vontade de superar os desafios para descobrir mais de tudo o que Deus tem reservado para nós.
No texto bíblico do profeta Ezequiel, capítulo quarenta e sete, vemos o relato de uma visão onde um homem o leva a diversos níveis de profundidade dentro de um rio e tendo mostrado as águas mais profundas o trouxe de volta a márgem. Por morar em uma cidade litorânea e por ter frequentado a praia com certa regularidade, me sinto mais confortável para discorrer nesse tema em um cenário as márgens do oceano Atlântico onde moro.
Posso imaginar o evangelho como o oceano, mesmo o Atlântico que banha o litoral onde vivo, que não é o maior mas com cerca de 106 milhões de quilômetros quadrados já é bem representativo quando comparado a qualquer homem. Ainda hoje nunca foi totalmente explorado e por isso posso me utilizar dele como exemplo.
O relacionamento das pessoas com o oceano pode ser visto de diversas maneiras e todas tem um bom motivo para justificar seu envolvimento. Vamos citar alguns deles.
Em primeiro lugar podemos citar os que admiram o oceano. Passam algum tempo observando, admirando, fotografando e imaginando muitas vezes o que poderia existir naquela imensidão. Muitos desses nem ousam molhar os pés, mas mesmo assim defendem sua admiração como um sentimento genuino e verdadeiro.
Existem aqueles que foram apresentados ao oceano e uma vez que chegaram na praia, deram um mergulho, brincaram nas ondas e decidiram: Não largo mais essa vida. Após essa decisão assmem um compromisso de semanalmente estar na praia usufruindo dessa maravilha que é o oceano.
Outro grupo se aventura nas ondas, em constantes e rápidas viagens que provocam alegria, promovem diversão e uma boa sensação de liberdade. Contudo, requer um pouco mais de ousadia e dedicação para descobrir os segredos de flutuar nas ondas. O mesmo acontece com quem quer ir além das ondas e experimentar a sensação de invadir o oceano em busca da linha do horizonte. Ousam perder o contato com a terra e se deixam levar pelas forças do oceano. Descobrem novos horizontes, que os banhistas da praia nunca jamais entenderão, por mais que se explique.
Há ainda um grupo que além de se deixar levar pela imensidão da superfície do oceano, decidem mergulhar para descobrir o que esta oculto da nossa visão natural, e nessa busca encontram sempre um motivo para mergulhar mais fundo e se surpreender cada vez mais com o que lhes é revelado a medida que tornam seus mergulhos mais profundos.
Deus nos apresentou o oceano e nos deixou na praia. Cabe a nós decidir até onde iremos nesse oceano chamado evangelho. Muitos, muitos mesmo se contentam em religiosamente (falo no sentido literal) todos os finais de semana frequentarem a praia do ovangelho. Se divertem na areia, dão mergulhos rápidos para refrescar, se deixam "derrubar" pelas ondas e quando muito aprendem a surfar para curtir de forma mais "radical" esse tempo. Se encontram no mesmo ponto da praia e já vem com a programação feita. Hora de chegar e hora de sair. Quem gosta de ondas mais fortes, vai para um lado. Quem aprecia ondas mais fracas, vai para outro lado e quem prefere a ausência das ondas, se acomoda em frente ao quebra-mar que ameniza a força das ondas e deixa apenas pequenas marolas chegarem a praia.
Creio que não há nada de errado em se manter na praia por toda a vida. É uma decisão pessoal. Mas é incontestável o fato de que o evangelho de Jesus foi disponibilizado a nós sem qualquer tipo de restrição. Cristo veio abrir todos os acessos aos seus segredos mais profundos. Para isso, basta que entremos e mergulhemos cada vez mais fundo nesse oceano do evangelho. É certo que para isso, com toda certeza teremos que sair do esquema "religioso" e pragmático que nos limita semanalmente a um tempo de contato com o evangelho, pois para ir além das ondas navegar e mergulhar fundo, precisamos  de uma viagem bem maior. Mas é exatamente nesse ponto, longe da praia, sem os pés na terra, totalmente e literalmente envolvido por um abiente sob o qual não temos controle e onde nos sentimos totalmente impotentes, que poderemos experimentar a riqueza da graça de Deus, nos ensinando a viver de forma sobrenatural nesse mundo. Com certeza ninguém volta de uma viagem dessa sem ser transformado, e o mais espetacular é que quando voltamos à praia temos a nítida sensação de que o nosso verdadeiro mundo não é mais aquele e o insaciável desejo de descobrir mais e mais do que o evangelho tem a nos revelar talvez provoque uma inquietação para voltar a novos mergulhos.
 
Assim como no oceano, o evangelho não será alterado ou prejudicado se não decidirmos mergulhar fundo, se deixar levar e receber tudo oque ele pode nos revelar. Nesse relacionamento apenas nossa vida é afetada e mudada. Por isso, para quem vive essa experiência, a praia pode ser muito divertida, mas com certeza não satisfaz mais, e o único motivo que justifique voltar à praia seja convencer tantos outros a mergulhamos juntos nesse oceano que é o evangelho de Jesus Cristo. 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Não Viver é Pior do que Morrer



Miguel Levy
A morte é sem dúvida, se não o principal, um dos principais fatores que causam medo no homem. Pela proposta natural da vida e pelo que se conhece em relação ao mundo onde nos encontramos é natural que qualquer coisa que esteja além de nossos limites se transforme em uma grande incógnita e a possibilidade de deixar de existir nesse mundo abala, amedronta, aterroriza o homem.

Não podemos esquecer alguns fatos importantes para entender porque isso acontece. O primeiro é que o mundo que vivemos esta sob a gestão do maligno e a Bíblia diz que as obras do diabo são matar, roubar e destruir (Jo 10:10) por isso ele usa esses argumentos que estão a sua disposição para conseguir seus objetivos com o homem. Todos aqueles que agem sob a influência do maligno se utilizam desse mesmo dispositivo buscando desestabilizar o homem através do medo, da insegurança, mostrando que em suas mãos está o controle sobre a vida usando a morte como ferramenta. Um assassino, aquele que usa a morte como ferramenta, ao ameaçar a vida de alguém na verdade esta se utilizando somente da morte como agente causador de medo para conseguir o que pretende que com certeza será roubo e destruição, pois esse é o ciclo do maligno e seus seguidores no mundo. Se prestarmos atenção é uma espécie de manipulação como em um show de mágica onde somos levados a acreditar não no que vemos mas no que nos é mostrado como verdade.

O homem considera a sua vida como preciosa, o diabo, grande ilusionista, nos faz acreditar que tem domínio e controle sobre a vida colocando luzes e chamando a nossa atenção para isso, faz uma demonstração com morte e o que ela pode produzir em suas mãos, gera instabilidade, insegurança e quando estabelece o clima de medo aí com habilidade ele esconde a vida e deixa em sua platéia uma única certeza. O medo da Morte.

O medo a morte é a ferramenta utilizada pelo diabo para garantir a manutenção de seu império no mundo. O medo de morrer leva as pessoas muitas vezes a ir de encontro aos princípios da vida buscando garantir a sua condição de vida. O medo da morte aterroriza o homem e o mantém prisioneiro da sensação de que a sua vida esta na dependência da morte, do diabo.

Outro fato importante, que não podemos esquecer nem ignorar é que no mesmo trecho da Bíblia onde encontramos as obras do maligno encontramos também o foco das obras de Deus no mundo através de seu filho, quando ele diz: “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10:10) e essa afirmação não foi um deslize, um descuido de conversa ou produto de um momento de euforia em um sermão, pois mais adiante em uma conversa séria e confrontante com seus discípulos a respeito de sua natureza, seu papel e sua total correspondência em unidade com o Pai, Jesus afirma com uma convicção bastante sólida: “eu sou o caminho, a verdade e a VIDA;” (Jo 14:6). Ele não disse: eu tenho a vida ou eu manipulo a vida. Ele disse: eu sou a vida.

As obras de Jesus nunca se basearam em manipulações, mas sim em verdade. Jesus veio para desfazer as obras do diabo (1Jo 3:8) trazendo de volta a vida de forma abundante a todos os creram em sua palavra. As demonstrações de vida realizadas por Jesus em seu ministério não se tratavam de desviar a atenção da morte para que a vida ocupasse seu lugar como em uma apresentação de ilusionismo. Ele estabelece a vida de forma explícita ignorando o poder da morte. Fez isso muitas vezes até que ele mesmo confrontou a morte cara a acara e voltou triunfante com perguntas como: “onde está, ó morte, a tua vitória? Onde esta, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co 15:55).  

O grande show de revelação do poder da vida acontecerá no arrebatamento da igreja de Jesus, quando em um abrir e fechar de olhos, a Bíblia diz que os mortos ressuscitarão incorruptíveis (1Co 15:52). É como se todas aquelas vidas que foram “escondidas” durante o show de ilusionismo do diabo agora fossem resgatadas e apresentadas publicamente no palco.

Vemos que o poder da morte, por maior que possa parecer, é temporário. O grande pavor da humanidade, o medo da morte, pode ser grande, mas não é para sempre. Não é eterno. A morte, ao contrário do que a cultura popular ensina, não é o fim inevitável. Após a morte ser desmascarada e aprisionada junto com seu manipulador, teremos a eternidade para existir e contrariando o que aprendemos no mundo, não teremos fim e sim uma continuidade eterna de vida.

A palavra do apóstolo Paulo aos Romanos (12) é cada vez mais vital em nossa caminhada. Renovar a mente faz toda a diferença. O diabo vem tentando nos educar com uma cultura que não pertence ao Reino de Deus que nos levará a pensar e agir de forma contrária aos princípios de Deus.

Muitos são levados a pensar que depois de tantos erros e de terem levado uma vida totalmente voltada à prática do pecado, talvez seja melhor desistir de tudo. Morrer de vez. Trinta, quarenta, setenta anos de pecado é muito tempo para ser recuperado. Esse é o pensamento ensinado aos homens na cultura do mundo. Porém, a Bíblia afirma que quem pensa que a vida acaba na sepultura é o mais infeliz dos homens. Por maior que seja o período de nossa existência no mundo torna-se insignificante, desprezível, quando comparado a eternidade. A cultura do mundo, do reino das trevas diz: viva em pecado setenta, oitenta anos, desfrute a vida e depois morra de vez que tudo acaba. A cultura do Reino de Deus diz: morra para o mundo, obedeça a Deus, seja fiel por setenta, oitenta anos e depois desfrute a vida eternamente com Deus.

O grande castigo eterno para aqueles que rejeitam o evangelho de Jesus Cristo não é a morte, porque essa será presa (Ap 20:14) é a existência resumida ao fato de não morrer. Apenas existir sem a possibilidade de comunhão com o Deus criador. Essa dura realidade não é mostrada em filmes, não é revelada aos homens pela cultura desse mundo pois é sem qualquer dúvida a pior coisa que pode acontecer a uma criatura. A ilusão do diabo aos homens terá alguma eficácia enquanto ele pode distrair a atenção dos homens com dinheiro, poder, e qualquer coisa ao alcance dos olhos no mundo que ele ainda domina. Ensina que não há necessidade de Deus se temos condições de ter uma boa vida na terra. O discurso do diabo é para hoje e agora. A televisão, as revistas mostram pessoas sorridentes e felizes mesmo longe de Deus e sem buscá-lo como nos ensina a Bíblia. É a ilusão que um dia será revelada. A eternidade é o que espera a todas as criaturas pois Deus criou todas as coisas para durar uma eternidade. O dom gratuito de Deus é a vida e não a morte. Por isso a vida eterna é para todos. Todos irão existir eternamente, a grande questão é como será essa existência. Com quem iremos passar a eternidade. Com Deus ou sem qualquer possibilidade de comunhão com ele.

A vida plena e abundante prometida por Jesus consiste em existir compartilhando da comunhão com o Pai que nos criou. É essa comunhão, é a presença de Deus, é vida de Deus em nós que dá sentido a nossa existência hoje e eternamente. Não há sentido em existência quando existimos sem a vida que é Jesus. A grande agonia de Jesus na cruz não foi pela possibilidade de morrer e sim pelo tempo que passaria sem a comunhão com o Pai por causa dos nossos pecados. Ele não questionou a proximidade da morte, ele questionou a distância com o Pai. Sem Deus podemos existir, mas certamente não vivemos, e não viver é pior do que morrer.    

sábado, 25 de junho de 2011

Endless Love




Miguel Levy
Quem entende o amor? Essa já seria uma pergunta bastante complicada por se tratar de um sentimento que por si só, não facilita o acesso para os que de uma forma lógica e racional procuram explicar, definir ou de alguma maneira estabelecer um teorema que faça com que seus resultados façam sentido ou se tornem previsíveis e calculáveis.
Encontramos várias formas de expressar o amor, várias formas de amar. E como já dizia o poeta “qualquer maneira de amor vale a pena”, contudo nosso idioma não diferencia as variações desse sentimento. Os gregos, foram mais detalhados e separaram palavras distintas para o amor. O amor virtuoso e desapaixonado entre amigos (philos), o amor romântico, não necessariamente sexual (eros), o amor fraternal que une famílias (storgen) e um especial... ágape. O amor divino que atrai mais do que o eros, pois transcende os limites da forma física, é mais leal do que o philos, e mais pronto ao sacrifício do que o fraternal.
Não me proponho a explicar mas nunca desisto de me deixar levar pelos pensamentos sobre o  amor que inevitavelmente me leva a Deus, independente do caminho que eu trilhe nesse universo do amor, e que da mesma forma inevitável me faz ver em grandes letras uma das primeiras referências bíblicas que aprendi ainda menino: João 3:16. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Um trecho pequeno que fala do amor de Deus, sem qualquer pretensão de ser exato em sua explicação, mas que revela toda a imensidão e profundidade de um relacionamento atraente, leal e divinamente fraterno.
O amor que não pede prova, antes se oferece em sacrifício. É a primeira manifestação de quem ama. Estar pronto para doar, para ser oferta. O apóstolo Paulo escreveu aos romanos tentando fazê-los entender o interesse e cuidado de Deus por eles e assim como João, deu o exemplo da oferta do Filho (Rom 8:32). O Deus que é amor, é naturalmente doador, galardoador. Porque Deus amou ele deu seu filho e é necessário que todos conheçam o dom de Deus (Jo 4:10). Ele dá porque ama. Não podemos dar primeiro para amar depois, esperando que a oferta gere amor. O sacrifício, a oferta é a ação produzida pelo motivo, por causa do amor. Amor não se compra é gerado a partir de amor. Não se consegue amor sem amor. A matéria prima do amor é próprio amor. Por isso Deus nos amou primeiro e derramou sobre nós seu amor, caso contrário não teríamos amor para amar outros. Hoje vemos famílias e relacionamentos sendo pulverizados pelo medo, desconfiança, insegurança, indiferença, desgosto, ódio, não obstante muitas vezes paralelo a isso tudo podermos ver até altos investimentos de dinheiro, presentes, viagens, boa condição e até muito sacrifício, mas tudo sem amor. Oferta sem amor não conquista, afronta. Devemos seguir o exemplo de Deus. Amar primeiro.
O amor que é fiel, que propõe ao homem uma relação durável que não é limitada até que a “morte os separe” pois a morte não representa uma barreira para esse amor. A eternidade é o limite desse relacionamento amoroso. A fé nos levará além do natural pois quem crer poderá extrapolar os limites naturais da vida para viver um verdadeiro amor sem fim, um Endless Love sonhado e idealizado por qualquer roteirista hoolidiano que não obtém êxito por focar em um amor que sofre um bocado, crê bastante, espera anos, suporta muito e um dia chega ao seu limite. Mas o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1Co13:7), esse dura uma eternidade.  
O amor capaz de fazer com que Deus abra sua intimidade e reveles seus segredos tornando possível a todos a realidade da vida eterna que consiste no pleno conhecimento de Deus e seu Filho Jesus (Jo17:3). Só quem ama se abre, se desarma e revela seus segredos. Só quem ama se dispõe a viver junto por toda uma vida, principalmente quando se tem certeza de que essa vida não terá fim.
A melhor parte dessa história é que nunca precisamos pedir provas a Deus. A sua iniciativa em nos amar, nos escolher nos fazer parte da sua história nos dá tranqüilidade e segurança para mergulhar sem reservas rumo a eternidade que nos espera garantidos, supridos e saciados por esse amor sem fim. O nosso verdadeiro Endless Love.