sexta-feira, 7 de agosto de 2009

EU SOU DE DEUS

Miguel Levy
É muito bom e até confortável alimentar a idéia de que temos um Deus forte, grande, poderoso que nos chamou para si e que entre outras coisas cuida de nós. A garantia de proteção, livramento e suprimento pode satisfazer nossos pequenos anseios e até justificar nossa devoção e fé em Deus. Se apoiar no que esta escrito em 1 Pedro 2:9 é um grande consolo e motivo de orgulho. Fazer parte de um povo adquirido por Deus. Povo de sua propriedade exclusiva. Isso é uma benção, mas como tudo que vem de Deus, tem um propósito nele.
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” 1 Pedro 2:9

Na epístola de Pedro é muito evidente que o ser geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido não expressam um fim, mas um meio. Uma condição necessária para cumprir um propósito centrado em Deus. Tudo isso é necessário PARA QUE? Para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Um ponto bastaria e poderia encerrar esse assunto sem maiores explicações, fazendo cumprir unicamente o que está escrito. Mas vale a pena meditar e pedir ajuda ao Espírito Santo para que os nossos olhos sejam iluminados e a nossa mente liberta de todo egoísmo e ganância que naturalmente podem nos afastar dos planos de Deus.

É muito comum, baseados em nossos sentimentos naturais, mudar o foco do nosso relacionamento com Deus e sairmos da condição de participantes para, como muitas vezes imaginamos, o centro de tudo. Temos nos iludido com a idéia de que Deus esta ao nosso dispor pronto para viabilizar os nosso propósitos e com esse pensamento passamos a exigir de Deus coisas que muitas vezes podemos até ter mas que não constituem a prioridade nem o objetivo principal de Deus.

Em Mateus 6:25-26 Jesus diz: “Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?”. Em outras palavras, podemos entender que se somos de Deus, assim como as aves, se pertencemos a ele devemos deixar para ele o cuidado com a nossa vida a partir de então.

Em Jeremias 1 vemos Deus expressar que ELE cuida para que a sua palavra se cumpra. Os propósitos de Deus não são sonhos nem possibilidades. São fatos pré-existentes antes mesmo de acontecerem, pois uma vez estabelecidos em Deus, já existem.

Por isso, o quanto antes entendermos isso menos ansiosos e enganados vamos viver. Somos de Deus para... anunciar as suas virtudes. Para que o mundo conheça a excelência moral do nosso Deus. Para sermos suas testemunhas. Por isso Jesus disse: “Se alguém quer me seguir, negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mat 16:11). O cristianismo é renúncia, é oferta em favor de alguém, é consagração.

Negar a si mesmo é ser oferta. É abrir mão de sonhos, propósitos e prioridades, onde o eu dá lugar a nós. Onde o indivíduo deixa de existir pelo bem coletivo. É o sentimento dos irmãos da igreja primitiva que uma vez convencidos do amor de Deus através de Cristo se desposicionavam em sua própria individualidade chegando a abrir mão da posse e da propriedade de seus bens. “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.” (Atos 4:32).

Tomar a sua cruz e seguir o caminho de Cristo. É bastante conveniente pensar em cruz como fim, mas para Deus, a cruz é só o começo. É o lugar onde vamos realmente cumprir o propósito sem qualquer tipo de contaminação, interferência natural ou humana, pois naturalmente, ninguém quer estar na cruz.

A caminhada mais difícil de Jesus foi até a cruz, pois sua natureza humana resistia ao sacrifício e a morte. Da mesma forma, todo o embaraço e dificuldades que sentimos em nossa caminhada cristã é produto da nossa natureza humana resistindo a cruz que todos temos que levar e que fatalmente resultará na mortificação dessa natureza para que o espírito recriado com o novo nascimento seja absoluto. Somente quando chegamos na cruz, perdemos o medo. Pois nem a morte pode nos fazer parar nessa caminhada. Na cruz, não temos nada mais a perder, só a ganhar. Só após a cruz, podemos fazer como Jesus, zombando da morte e do seu poder, agora superado.

Pelo que vemos na Palavra de Deus, entendemos que esse processo de aperfeiçoamento, amadurecimento e crescimento espiritual deve ser constante e a medida que avançamos nesse propósito, abrindo mão do que é propriamente nosso, afirmando com mais propriedade “ não vivo eu, mas Cristo vive em mim”, mais perto ficamos do verdadeiro significado de pertencer a Deus, e dessa forma podermos anunciar as virtudes de Deus.

Eu sou de Deus para Deus, não sou de Deus para mim. Nele, por ele e para ele existimos. Devemos ser felizes por poder fazer parte desse plano glorioso. Cooperador do projeto, participante do plano, membro do corpo.
Só quando estou consciente e convertido de que EU SOU DE DEUS é que entro no descanso e apenas contemplo suas obras em minha vida.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Existe um Padrão, Cristo.

Gosto muito de assistir comerciais, mostram de forma bem direta comportamentos que irão ser identificados nas pessoas que assistem gerando vínculo e associação ao produto que desejam promover.

O vídeo promocional que apresentamos, mostra o perfil inseguro que é presente em grande parte das pessoas hoje. Vivemos em um mundo que não faz questão de nos mostrar a verdade e muito menos de nos ajudar a identificar nossa natureza e identidade. A razão é simples. Quanto menos sabemos sobre nós mesmos, mais inseguros estaremos e consequentemente mais vulneráveis, sendo uma preza fácil, podendo ser manipulada e encaminhada para qualquer caminho.

Por isso vemos na carta que o apóstolo Paulo escreveu aos irmãos da igreja de Roma, a sua preocupação em alertá-los, e a nós também, sobre o cuidado em não se acomodar com a cultura desse mundo, mas que sempre buscássemos a renovação de nossa mente através da palavra da verdade que nos levará sempre a um só caminho, a liberdade em Cristo.

As pessoas hoje não buscam a verdade para as suas vidas, mas sim aquilo que julgam ser importante para a sua afirmação pessoal e aceitação pela sociedade. Estão antenadas no que o mundo sinaliza como padrão, ou modelo de sucesso a ser seguido. Entendem que sua realização esta fora e buscam encontrar isso sem qualquer cuidado com a origem de onde estão vindo todas as informações que irão ditar as regras de sua vida.

Até mesmo o senso de preservação, presente em qualquer animal, parece ser ignorado nessa busca. É possível presenciarmos verdadeiras mutilações, onde gordos ficam magros, magros se transformam em um monte de músculos, homens parecem mulheres e mulheres parecem homens. Tatuagens exuberantes que parecem ter vida própria em corpos volumosos cobertos por uma pele brilhante e lisa, não resistem mais ao tempo, perdem o volume se enrugam junto com a pele já cansada e queimada de sol. As borboletas parecem fechar as asas e os grandes dragões nos braços outrora sarados parecem diminuir e transformam-se em esguios lagartos.


Jesus Cristo veio apresentar não um padrão de vida, mas o padrão de vida que devemos buscar independente do tempo que vivemos. Por isso não devemos buscar o evangelho com a mesma expectativa que buscamos no mundo as novas tendências da estação, onde podemos escolher o que se adéqua ao nosso estilo. Mas devemos buscar na Palavra de Deus o padrão de Cristo que irá nos moldar a ele.

O apóstolo Paulo foi muito feliz quando se posicionou firme diante da pressão sofrida sobre a palavra que estava pregando, onde os judeus pediam sinais e o gregos sabedoria, mas ele afirmou que permaneceria com a mensagem da cruz, que poderia até parecer loucura, mas representava poder de Deus (1 Cor 1).

Percebemos grandes migrações entre as mais diversas denominações porque as pessoas tratam o evangelho como mercadoria, se posicionam como clientes e vêem no mundo o grande mercado para comercializar. De um lado vemos líderes com medo de perder clientes para outros, e na eminência de ter seus faturamentos ameaçados, fazem o que qualquer empresário sensato em um mercado competitivo faz. Se adapta. Modifica o produto, muda a comunicação, dá uma nova roupagem para se adaptar ao gosto e aceitação do consumidor e dessa forma o evangelho tem sido manipulado e as pessoas continuam sem se satisfazer pois essa falsificação de evangelho não produz efeito nenhum além do qualquer produto de comércio poderia produzir, pois seu poder de atuação se restringe apenas ao exterior, muda no máximo o comportamento.

Cristo não veio apresentar um novo produto para a humanidade consumir e delinear um novo padrão de comportamento para a vida das pessoas. Ele veio trazer uma opção de mudança de natureza do homem, gerando uma nova vida, chamada abundante, em uma nova criatura, para que dessa forma o homem pudesse ter convicção que ele é e dessa forma exercesse a autoridade que já lhe foi dada para que ao invés de buscar respostas nos mundo, viesse a se revelar como filho de Deus expressando seu amor e graça, fazendo calar o gemido angustiante da humanidade tentando se encontrar (Rom 8:19).


Passará o céu e a terra mas a Palavra de Deus permanecerá para sempre. Tudo pode mudar, mas Deus e sua palavra não mudam. Por isso, todo o esforço que empreendemos em busca de um evangelho que se adéqüe as nossas expectativas deve ser revertido em nos adequarmos ao evangelho de Cristo. Pois qualquer coisa, que seja pregada ou ensinada, mesmo que por anjos, que seja diferente do que Jesus Cristo deixou, dever ser considerado anátema, e portanto desprezado (Gal 1:8).

terça-feira, 21 de abril de 2009

Páscoa



Mais um ano em que nós, os cristãos, mencionamos a páscoa em nossas reuniões. Digo mencionamos, pois o que se vê esta longe, bem longe de uma celebração que, na minha opinião, é o que todos nós que acreditamos em Cristo e seguimos seu evangelho deveríamos fazer anualmente.

A páscoa foi instituída por Deus, podemos encontrar em Êxodo 12:1-14 a orientação divina para realização dessa cerimônia para o povo de Israel. O mais importante nesse acontecimento é entender o que Deus quiz nos mostrar com isso. Nada foi por acaso ou sem propósito.

A situação do povo de Deus na época era complicada. Após 400 anos de escravidão, mas estabilizada situação, o povo estava agora vivendo um tempo difícil. Já havia iniciado o processo de libertação que implicava na saída de uma nação de dentro de um país, o Egito, que perderia sua mão de obra barata e certamente comprometeria toda a sua estrutura. As intenções já estavam bem claras. Israel estava disposto a sair do Egito e o Egito, na pessoa do seu faraó, não estava disposto a liberar Israel. De qualquer forma, onde quer que terminasse esse conflito só uma coisa era certa. Esse relacionamento iria piorar, e muito. Se Israel não conseguisse sair do Egito a estável convivência entre senhores e escravos iria se tornar muito difícil.

Só para termos uma visão mais clara desse quadro e de como deveria estar o emocional do povo de Deus, faraó já havia resistido a nove pragas e não parecia disposto a ceder por nada. O próximo passo deveria ser definitivo para os dois lados.

Foi exatamente nesse ponto do conflito que Deus chegou com essa idéia de páscoa (do
hebraico Pessach, significando passagem através do grego Πάσχα). Uma cerimônia cheia de detalhes em meio a um clima tão estressante. Quem poderia pensar nisso agora. Mas tudo o que Deus orientou foi preparando o homem para entender o seu principal objetivo. Revelar Cristo.

Primeira providência, cada um deve tomar para sí um cordeiro macho, sem defeito que deveria ser sacrificado no final da tarde. A sua carne deveria ser comida, e o seu sangue seria uma espécie de marca sobre cada família que acreditou e realizou essa cerimônia. A realização dessa cerimônia livraria as famílias da próxima praga que seria lançada sobre aquela terra, a passagem do anjo da morte sobre o Egito.

Surge uma pergunta. Deus sabia quais eram as famílias de israel e as do Egito? Será que precisaria mesmo ter essa marca de sangue na porta? O escritor aos Hebreus nos afirma que o que aconteceu antes de Cristo, tudo o que foi vivido na época da Lei era apenas um símbolo, uma espécie de representação pedagógica para que pudéssemos ter idéia do que nos seria apresentado. Uma sombra da realidade que seria vivida com a Redenção.

Mas vamos entender a lição. Não foi sem razão que Jesus foi preso, morto (sacrificado) e ressuscitou justamente no período da comemoração da páscoa. O evangelista João escreveu: “eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29), identificando Jesus como o cordeiro utilizado no último e definitivo sacrifício que selaria a passagem, páscoa, da humanidade da morte para a vida, da condenação pelo pecado para a justificação pela fé, de devedor do diabo a herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo, de um futuro miserável no inferno para uma vida eterna com Deus. Essa é a páscoa que devemos comemorar sempre, pois temos motivos muito maiores e perpétuos. Os judeus comeram o cordeiro do sacrifício, se livraram da vida de escravidão no Egito e depois certamente morreram, Em João 6:51, o próprio Jesus afirmou que quem comesse dEle, da sua carne e do seu sangue, viveria eternamente.

Deus com a instituição da páscoa estava sinalizando que o seu povo deveria aprender a viver por fé nEle, acreditando sempre no Ele diz, sem contestação. O sangue do cordeiro marcou as portas do povo de Israel no Egito abrindo o caminho da passagem para a liberdade. O sangue de Jesus, derramado na cruz, abriu um novo e vivo caminho, garantindo a passagem (páscoa) do pátio, do átrio, de um lugar próximo de Deus para a sua completa intimidade (Hebreus 10:19-20). O grande sinal de Deus em mostrar sua clara intenção em estreitar o seu relacionamento com o homem foi o véu do templo sendo rasgado (Mateus 27:51). A passagem da separação para a intimidade e comunhão. A páscoa do relacionamento.

Mais uma vez citando Hebreus no capítulo oito, podemos constatar que realmente estamos vivendo uma aliança infinitamente superior a antiga, feita com a Lei, e os motivos de comemoração da páscoa para nós, redimidos pelo sangue puro e sacrifício perfeito de Cristo, também são infinitamente superiores.

Enquanto muitos de nós nos consumimos tentando explicar ou justificar o uso ou desuso de coelhos e ovos de chocolates na páscoa, deixamos de enfatizar o que realmente importa na páscoa. Nossos filhos, amigos e irmãos em Cristo devem ser estimulados a celebrar a páscoa entendendo o seu significado e importância para nossa vida, para que dessa forma, esse dia da páscoa possa servir de memória pelas gerações até que Jesus volte, dessa vez não como o cordeiro, mas como o leão, triunfante, que dessa vez nos levará para celebrar a última páscoa, chamada bodas do cordeiro, a grande festa que nos levará de forma definitiva a condição que Deus planejou para nós. Será mais uma passagem, uma páscoa.

Miguel Levy

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

SANTIDADE É RELACIONAMENTO



SANTIDADE É RELACIONAMENTO

Santidade é uma palavra que geralmente impressiona e traz uma conotação bastante espiritual nas pessoas. Quando se fala de santidade é muito comum imaginar um tipo de relacionamento estreito com Deus, coisa que não é para muitos. É comum encontrarmos quem busque isolamento para se santificar, entendendo que sua purificação poderá ser comprometida com o contato com o mundo e as pessoas. Mas quem pode conseguir esse tipo de relação de santidade, até por que a Bíblia mesmo mostra que Deus exige santidade no seu relacionamento com os homens quando diz: “Eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo.” (Lev 11:45), ou ainda quando lemos 1 Pedro 1:16: “sejam santos porque eu sou santo”. E a grande pergunta é: QUEM PODE ser santo para isso, ou o que podemos fazer para sermos santos e vivermos em santidade. Concluimos que essa não é uma questão recente pois o salmista já meditava sobre isso em sua época.
No Salmo 15:1-3 vemos o mesmo questionamento e suas conclusões.

“Senhor, quem habitará no teu santuário? Quem poderá morar no teu santo monte? Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade e não usa a língua para difamar...”.

Podemos esclarecer mais um pouco. Quem habitará no teu santuário? Ou seja, quem pode ser santo o suficiente para habitar com Deus? A resposta vem de imediato, diz que santo é aquele que é “íntegro em sua conduta e pratica o que é justo”. Meditando nessa primeira parte da resposta do salmista podemos constatar que essa atitude que caracteriza o santo não é praticada do homem para Deus e sim do homem para o homem. Aquele que “é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo” para outras pessoas, para os seus semelhantes. O texto diz que santo, o que pode habitar e ter relacionamento com Deus, que é santo, é aquele que “de coração fala a verdade e não usa a língua para difamar...”. Mais uma vez fica claro que não podemos mentir para Deus e nem difamá-lo. Isso nos deixa claro que esse procedimento do que busca santidade é mais uma vez voltado para outras pessoas.

Santidade é acima de tudo relacionamento. Quando se fala que santidade é SEPARAÇÃO não quer dizer que seja ISOLAMENTO. Muitos buscando relacionamento com Deus acabam se isolando das pessoas e isso é um erro. Deus, por ser santo, quando quis mostrar sua santidade não se isolou no confinamento de sua morada. Ele quis se relacionar com o homem, ele quis compartilhar a sua vida mostrando que poderia sim, ser santo, ser SEPARADO, do pecado, da injustiça, da mentira de tudo que poder corromper o caráter sem se ISOLAR do pecador, do injusto, do mentiroso, de nós. Em Filipenses 2 vemos o Deus se despindo, descendo da plataforma intocável de sua santidade para se ser homem, se relacionar com a humanidade no mundo sem deixar de ser santo.

O apóstolo Paulo falou bastante sobre relacionamento entre irmãos, ou seja, sobre santidade. Em Colossensses 3 nos aconselha a nos vestirmos de MISERICÓRDIA, BONDADE, HUMILDADE, DELICADEZA E PACIÊNCIA. Tudo isso só serve, só tem utilidade na vida de outras pessoas. Imaginem alguém buscar santidade exercendo misericórdia com Deus? Nem soa bem nos ouvidos. “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente”, isso é processo de santidade. Isso é relacionamento. Não podemos buscar relacionamento com Deus mantendo nossos corações feridos.
Ao seu discípulo Timóteo, Paulo aconselhou a preservar as mãos santas e explicou que mãos santas são mãos sem IRA e sem CONTENDA (1 Tomoteo 2), e isso também é em relação a pessoas. Contender contra Deus puro devaneio.

Mas o fechamento que traz aos nossos ombros toda a nossa responsabilidade que temos em buscar a santidade, encontramos na carta aos Hebreus 12:14-15, quando diz: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem SANTOS, sem SANTIDADE ninguém verá o Senhor”
V 15 – “cuide que ninguém se exclua da Graça de Deus; que nenhuma raiz de AMARGURA (ressentimento contra pessoas) brote e cause perturbação, contaminando muitos”.

Esforcem-se para viver em PAZ COM TODOS. Isso é muito simples e muito grande. A paz que devemos manter é com todos, e nesse caso não fala de próximo, uma vez que querendo, nós podemos gerenciar quem esta na nossa proximidade para ser nosso próximo. Mas a Bíblia fala paz com todos. O que mais dizer? Paz e Santidade. Se não formos santos e não vivermos em paz com TODOS, Ninguém vai ver Deus. Isso é muito sério.

Em colossenses 1, Paulo diz que Cristo é a revelação visível do Deus invisível e que esse mesmos Cristo é o primogênito da nova criação de Deus. Deus foi revelado ao mundo através de Cristo. Cristo expressando amor, perdão, misericórdia, compaixão e todos os atributos de quem Deus é, mostrou Deus ao mundo. O Deus invisível passou a ser visto pela expressão de Cristo as pessoas. Sendo Cristo o primeiro, nós somos a continuidade dessa geração responsável por revelar de forma visível Deus as pessoas no mundo, e nós podemos impedir que as pessoas vejam Deus. Deus só pode ser visto em nós se formos santos e vivermos em paz com todos.

Santidade não é uma questão de opção, é um caminho sem volta para todo cristão. Cada pessoa problemática que nos deparamos deve ser vista como uma grande oportunidade de expressarmos e revelarmos Deus ao mundo, contribuindo no aprimoramento de nossa santidade. Talvez aquele grande chato que ninguém suporta aquela persona non grata que todos evitam, seja tudo o que precisamos para sermos santos como Deus é.

Se alguém decide pela reclusão, pelo isolamento na busca pela santidade, mantendo estreita comunhão somente com Deus certamente o seu comportamento terá o mínimo de deslizes, não irá mentir, difamar, trair, manterá a paz com todos, no caso ele e Deus. Estará separado, não tem para quem revelar o Deus santo. O mérito da santidade não esta em não fazer por não poder e sim no poder e não fazer. Santo não é o que não briga com ninguém, mas sim o que até se ira, mas não peca e nunca deixa o sol se por sobre sua ira. O santo até ofende mas se retrata, é ofendido mas perdoa. Se permite correr o risco de errar mas não se nega a oportunidade de crescer no relacionamento e na comunhão uns com os outros, sendo enriquecido dentro do propósito divino para todos nós. Frutificar. Sendo santos como Deus é santo. Seja santo! Se misture!

Miguel Levy

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

VOCÊ É AQUILO QUE VOCÊ COME




Já vi muitos profissionais como médicos e nutricionistas afirmando que somos exatamente aquilo que comemos. Nossa vida apenas reflete aquilo com o que nos alimentamos desde nosso nascimento. Se somos mais ou menos resistentes a doenças, se nossa pele é mais ou menos hidratada, se nossos ossos são mais ou menos resistentes, enfim. Tudo vai depender do que nos alimentamos de fato. Isso me veio a mente quando meditava sobre o que Jesus falou, narrado por João no capítulo seis a partir do verso vinte e dois, quando ao ser pressionado pelos judeus sobre sinais que justificariam para eles que Jesus era realmente enviado por Deus, eles citaram o fado de Deus um dia ter enviado pão do céu no tempo de Moisés, o conhecido maná. Eu entendo que não faria sentido Jesus ter vindo ao mundo sem trazer novidades ou algo além do que já havia sido apresentado ao mundo até o momento. De fato isso aconteceu. Jesus tratou de se diferenciar em relação ao que aconteceu com Moisés. Todos os que comeram o maná, o pão descido do céu no tempo de Moisés, morreram. Como Jesus seria diferente? Qual seria a novidade de vida apresentada nesse evangelho? Jesus afirmou aquilo que seria a diferença entre a eternidade e a sepultura. Ele disse: EU SOU O PÃO DA VIDA. O mais importante é que quando ele se referiu a pão, não estava falando apenas de um tipo de alimento específico, mas sim de uma refeição completa e suficiente quando afirmou: “a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida”.


Isso me levou a meditar em muitas coisas que envolvem a nossa vida cristã, mas principalmente sobre qual tem sido a nossa dieta, o que tem alimentado nossa vida verdadeiramente. Será que realmente temos nos alimentado de Cristo, esse pão vivo que desceu do céu? Porque, se temos comido da sua carne e bebido do seu sangue esse alimento será metabolizado em nossa vida e passaremos a viver e expressar nossa vida de acordo com os nutrientes proporcionados por essa alimentação. Aquilo que comemos verdadeiramente entra em nós, pelo nosso sangue e nutre nosso corpo. É dessa forma que podemos entender o que Jesus quer dizer quando diz “se permanecerdes em mim, e eu (as minhas palavras) permanecerem em vós”; ou quando Paulo diz “Cristo em mim...”. Entendemos que isso só é possível se comermos esse pão vivo e bebermos do seu sangue. Isso dá sentido a cerimônia da ceia do Senhor, que mais do que uma litúrgica cerimônia periódica que acontece nas congregações dever ser realizada como memorial, para lembrarmos disto, que Cristo é um pão partido com o objetivo de ser consumido para trazer salvação e vida eterna a todos aqueles que dele comerem. Que ele não teve interesse em deixar a imagem de si mesmo como um pão inteiro, justamente para não alimentar a possibilidade de ser preservado em sua integridade.
Tudo começa a fazer sentido e muitas respostas podem ser respondidas a partir dessa consciência. Receber o pão, guardar o pão, ou até mesmo dar o pão não significa comer o pão, e isso faz toda a diferença. Só podemos dizer que vivemos para Cristo, pelos seus interesses, com o mesmo compromisso que ele tem com o Pai que o enviou, quando vedadeiramente comermos dele (verso 57). Nós nele e ele em nós empregnado em nossas entranhas, fluindo em nosso sangue, fazendo exalar seu perfume em nós, promovendo mudanças em nossa vida e formando uma nova estrutura em nosso ser, sem qualquer possibilidade de separação. A esperança da glória, a resposta certa em todos os pedidos, nele, por ele e para ele.
Devemos lembrar disso todas as vezes que nos reunimos para comer. Enquanto nos alimentamos de comida material, temos uma nutrição temporária e tornaremos a ter fome. Mas quem come de Cristo jamais terá fome e quem bebe dele jamais terá sede. Essa comida garante a vida eterna e isso basta para nós. Cristo é suficiente. O que mais podemos pedir? Cristo nos basta. Precisamos comer dele que é verdadeiramente comida e bebida. Você é aquilo que você come, então coma Cristo e seja Cristo.

Miguel Levy

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

QUEM ESTÁ NO CONTROLE??



É comum a todos nós cristãos afirmarmos que Deus esta no controle de tudo em nossa vida. Que ele é senhor absoluto e é soberano. Costumamos ser bem enfáticos a esse respeito. Mas quando medito sobre isso, sou obrigado a confrontar minhas declarações com minhas atitudes, falo por mim, quando muitas e muitas vezes me pego elaborando planos, projetos, traçando caminhos e desenvolvendo estratégias que demandam bastante tempo, e quando tudo está pronto, simplesmente me encho de “humildade” para “apresentar tudo a Deus”. A grande pergunta que faço, a mim mesmo, é claro, é a seguinte: Para que eu faço isso? Qual a finalidade real de apresentar tudo a Deus? O que esta em meu coração, qual o motivo que me leva a fazer isso, de verdade? Estou buscando aprovação ou simplesmente cumplicidade?



Em Provérbios de Salomão vemos o sábio afirmar que “o homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem de Deus”. Se os planos do homem podem ser falhos e a palavra que sai da boca de Deus nunca falha, então porque nos aventuramos a planejar primeiro? É difícil entender como podemos deixar passar detalhes tão importantes que até mesmo a lógica humana confirma como melhor opção para remirmos o tempo e pouparmos trabalho em nossa vida. Afirmamos que Deus é soberano, mas reservamos a maior parte do tempo que temos em elaborar nossos planos, e no final apresentamos a Deus por que? Para pedir aprovação ou para tentar viabilizar a través de Deus a nossa idéia? Por que nos arriscamos em errar se sabemos que o certo vem de Deus, que nós afirmamos ser soberano? Se ele é soberano então os planos e tudo o mais deveria vir dele.
O apóstolo Paulo afirmou que o inimigo tem procurado dificultar a nossa visão para que não entendamos os propósitos e desígnios de Deus para a nossa vida. É visível como nossa visão é obscurecida pelo egoísmo e ganância ao ponto de ignorarmos o lógico em função de nossa vaidade humana. Deus é poderoso para “abençoar” os meus planos, realizar os meus sonhos. Trocamos o certo de Deus pela nossa própria incerteza.
Deus é soberano sobre tudo, inclusive sobre nossa vida. Em sua soberania cabe a nós buscar nele os propósitos que ele tem para a nossa vida. Quando nos empenhamos nesse sentido, avançamos para a perfeição de sua vontade trilhando os caminhos que ele traçou e descobrindo o que ele tem preparado para cada um de nós. O apóstolo Paulo disse que dessa forma somos guiados pelo Espírito de Deus, andamos segundo os seus propósitos, e dentro desse contexto todas as coisas concorrem para o nosso bem (Romanos 8). O compromisso de Deus continua sendo com a sua Palavra. Meus projetos e propósitos pessoais não tem qualquer cobertura de Deus se não estiverem inseridos nos projetos e planos de Deus. Para ser bem mais claro, é melhor não ter projetos pessoais e se envolver totalmente nos projetos de Deus para nós. Esses são infalíveis.
Falar que Deus é soberano e sair na frente dele planejando tudo é no mínimo desrespeitoso. Dizer que Deus está no controle e sair virando o rumo da vida para onde achamos que devemos ir, é no mínimo irresponsável. O tempo que passamos em oração “apresentando” nossos planos a Deus com um empenho pessoal em conseguir convencê-lo de que é um bom plano para que assim possa viabilizá-lo para nós, poderia ser melhor aproveitado na busca do conhecimento dos planos de Deus para nós e assim, procurar vivê-los dia a dia, crendo que estaremos no caminho certo, e descançando nas promessas daquele que em Cristo, sempre nos conduz em triunfo. Vale a pena deixar Deus no controle de tudo.

Miguel Levy

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

CHAMADOS PARA ADORAR

CHAMADOS PARA ADORAR

Tive o grande prazer em estar com um grupo de irmãos muito animados e cheios de vontade de Deus. Aconteceu no congresso de Jovens da Igreja Presbiteriana Nova Jerusalém, em Natal/RN. O que me agradou bastante foi o tema: CHAMADOS PARA ADORAR. A primeira impressão que temos é que será uma ótima oportunidade para abordar assuntos relacionados a louvor, música e adoração. Mas tivemos um outro direcionamento, entendendo que os propósitos de Deus são muito amplos para nós. Adoração no sentido de parte da liturgia de um culto não transmite a grande expectativa de Deus em procurar verdadeiros adoradores na terra (João 4). Deus deve estar buscando algo mais do que pessoas que se reúnem para juntos promoverem momentos de comunhão através de músicas inspiradas. Isso não é errado, mas cremos que não é apenas essa adoração que Deus busca.
Falamos de uma VIDA DE ADORAÇÃO a Deus. E quando nos referimos a vida, queremos dizer exatamente isso. Uma vida por completo. Adoração não pode se restringir somente a alguns minutos durante o culto. Já passamos, do tempo em que adoração tinha lugar, e tempo para começar e terminar. Jesus disse que JÁ CHEGOU O TEMPO, e não existe mais um lugar específico (João 4). Devemos entender que Deus deseja tudo de nós, por isso resolveu que não habitaria mais em templos feitos por mãos humanas, passaria a habitar em tabernáculos vivos, construídos por pedras vivas. Em nós. Com isso, a presença de Deus, antes tão protocolarmente buscada para adoração, agora é uma realidade em nossa vida diária. Não existe mais o entrar e sair da presença de Deus. Uma vez que o convidamos para ser nosso Senhor e salvador devemos ter a consciência de que Ele esta conosco para sempre. Por isso devemos rever alguns conceitos, realinhá-los com a Palavra de Deus e com ela, renovar a nossa mente (Romanos 12).
Adorar é manifestar a glória de Deus, sua vida, seus atributos em nossa vida de orma visível ao mundo. Glorificar a Deus é deixar que a sua virtude e graça seja vista em expressa em nossa vida a fim de alcançar o mundo, que em nós verá Deus e dará glória a Ele. Por isso Paulo disse que Cristo em nós é esperança de glória.
Para que isso aconteça precisamos conhecer Deus, buscar identidade e comunhão com ele, ter o mesmo sentimento de Cristo e estar totalmente comprometido com o seu propósito. E quando eu falo de compromisso, eu falo vida entregue no altar de Deus em oferta. É fácil encontrar que queira apenas envolvimento com Deus. Na verdade sempre foi assim. Em Atos 5:13 vemos que muitos eram os ADMIRADORES dos apóstolos mas poucos eram os que queriam se comprometer com o evangelho. Todos queriam curas, milagres, bênçãos. Esse tipo de gente não precisa ser procurada. Deus acha com facilidade. Admiradores Deus tem muitos, ADORADORES, ele continua a procurar.
Não entendemos que adoração não se resume a se isolar buscando um estado sobrenatural que nos traga algum bem estar, mas muitas vezes é exatamente o oposto, onde buscamos o convívio e a comunhão difícil com pessoas onde nos sacrificarmos para poder promover salvação e vida a todos os que Deus se propõe a alcançar a través da nossa vida.
A minha maior referência de adoração eu encontro no próprio Jesus, não em um momento isolado mas em toda a sua vida, recheada de frases e citações comuns a um verdadeiro adorador, tais como: “a minha comida e a minha bebida é fazer a vontade do meu Pai”; “que não seja feita a minha, mas a tua vontade” e finalmente, quando bradou “esta tudo consumado” Jesus não estava no templo, cantando com as mãos estendidas, mas estava na cruz, em oferta santa, viva e agradável a Deus, prestando um culto como um verdadeiro adorador, CHAMADO PARA ADORAR.